Invisível a olho nu: vídeo em câmera lenta revela 'segredo' da abelha-das-orquídeas
Câmera lenta mostra técnica secreta da abelha-das-orquídeas “Esse é o vídeo mais incrível que eu já fiz da abelha-das-orquídeas”, narra o biólogo e...
Câmera lenta mostra técnica secreta da abelha-das-orquídeas “Esse é o vídeo mais incrível que eu já fiz da abelha-das-orquídeas”, narra o biólogo e meliponicultor Guilherme Aguirre ao compartilhar nas redes sociais o registro da polinização de uma das "abelhas mais bonitas" do Brasil. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp A imagem, digna de documentário, foi captada por ele no quintal de casa, em Campinas (SP). Para um leigo, a cena pode parecer cotidiana, mas retrata um comportamento curioso e vital da espécie: a polinização por vibração. Com o recurso da "câmera lenta", é possível contemplar o que passa despercebido a olho nu. A abelha verde-metálica extrai o pólen da flor do gengibre-azul por meio de uma vibração que realiza com o corpo. Veja mais notícias do Terra da Gente: VÍDEO: Cobra-verde é flagrada predando morcego em sítio no interior de SP FOTOS: Cobra camuflada captura e engole pássaro em flagrante na mata; veja imagens ENCONTRADO: 'Fóssil vivo' de 275 milhões de anos com mandíbula de 'ralador' é descoberto Vídeo incrível revela como abelha-das-orquídeas poliniza flores em SP Guilherme Aguirre Em seguida, o inseto utiliza a língua comprida — característica marcante do grupo — para retirar o pólen do corpo e armazená-lo na corbícula. A estrutura na pata traseira funciona como uma "bolsa" para guardar o recurso e levá-lo ao ninho. “Filmar insetos é algo difícil, mas nesse dia estava batendo uma luz que me permitiu garantir a imagem com o celular. Consegui fazer em câmera lenta sem perder a nitidez. Foi especial, o único vídeo que já consegui assim dessa espécie”, celebra Guilherme. Abelhas-das-orquídeas: conheça o grupo de mais de 250 espécies Educação e conservação O flagrante, compartilhado no perfil @meliponarioairbnbee, já ultrapassa as 180 mil visualizações. A repercussão é comemorada pelo autor, já que o comportamento da abelha é desconhecido por grande parte da população. “Fico feliz de ver o alcance e poder despertar esse encantamento em pessoas que não estão acostumadas a observar esses fenômenos. É incrível compartilhar como funciona o mecanismo que a natureza cria", pontua o biólogo. Para ele, a união entre a beleza do inseto e a plasticidade da flor ajuda a atrair o interesse público. "Isso contribui para a conservação desses bichos, que muitas vezes são negligenciados”, afirma. Parece joia: Conheça a abelha-das-orquídeas e veja como ela poliniza flores em SP Guilherme Aguirre Não só das orquídeas Apesar do nome popular, as abelhas do gênero Euglossa não possuem relação exclusiva com as orquídeas. No vídeo acima, por exemplo, a espécie coleta pólen do gengibre-azul (Dichorisandra thyrsiflora), flor nativa da Mata Atlântica. A espécie coleta pólen do gengibre-azul (Dichorisandra thyrsiflora), flor nativa da Mata Atlântica Guilherme Aguirre O objetivo da extração é garantir alimento para a prole. Aguirre explica que essas abelhas possuem de 8 a 12 células de cria, onde depositam néctar e pólen antes de botarem os ovos e selarem a estrutura. Após a eclosão, a larva se alimenta desses nutrientes, passa pela metamorfose e, após o estágio de pupa, emerge como uma abelha adulta. Solitárias e independentes Diferente das espécies sociais, como as abelhas-com-ferrão mais comuns, as abelhas-das-orquídeas são solitárias. “As fêmeas são independentes. Ela vive sozinha, busca alimento, constrói o ninho e faz a proteção sem ajuda. É uma 'mãe solo'. Ela só sai para o acasalamento, mas não vive junto com o macho”, esclarece o biólogo. Para atrair as parceiras, os machos utilizam uma estratégia curiosa: a "caçada" de perfumes naturais. Eles possuem uma corbícula em formato de bolsa que infla, onde coletam óleos essenciais das plantas para compor a própria fragrância. 'Amizade' de quintal Desde 2022, Guilherme se dedica ao cultivo de cerca de 10 espécies de abelhas nativas sem ferrão. Embora seu trabalho atual foque na meliponicultura, ele mantém uma relação de proximidade com as abelhas-das-orquídeas (que possuem ferrão, mas não produzem mel). Initial plugin text “A abelha-das-orquídeas gosta de pegar cera das outras para construir o ninho. Quando estou mexendo nas caixas das abelhas sem ferrão, o cheiro da cera se espalha e elas se aproximam”, conta. O meliponicultor relata que o contato se tornou frequente. “Eu costumo dar essa cera na mão; ela pousa no meu dedo para pegar e levar embora. Tenho essa intimidade, ela não tem medo de mim. As abelhas reconhecem quem oferece risco ou não. Como ela sabe que eu sou 'da paz', vem até pedir cera”, finaliza. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente
