Vencedora de leilão é desclassificada e arrematação de terreno do Exército em Valinhos é anulada
Fazenda Remonta, em Valinhos Divulgação/Prefeitura de Valinhos A Fundação Habitacional do Exército (FHE) desclassificou nesta quarta-feira (19) a empresa A...
Fazenda Remonta, em Valinhos Divulgação/Prefeitura de Valinhos A Fundação Habitacional do Exército (FHE) desclassificou nesta quarta-feira (19) a empresa Alphaville Desenvolvimento Imobiliário do leilão de um terreno de 162 hectares conhecido como Fazenda Remonta, em Valinhos (SP). O certame foi realizado em 31 de julho de 2026 e a construtora saiu como vencedora após apresentar proposta de R$ 494,4 milhões. Com o veredito, a arrematação da área, que está sendo vendida pelo Exército para construção de um empreendimento imobiliário, foi anulada. Cabe recurso da decisão, que pode ser apresentado pela construtora em até 15 dias. Ao g1, o Grupo Alphaville disse que não vai se manifestar sobre o assunto. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp O Alphaville foi desclassificado por descumprir exigências técnicas, administrativas e financeiras previstas. O edital exigia a manutenção da maior parte da área natural em cada lote e a proteção integral das Áreas de Preservação Permanente (APPs), da vegetação e dos recursos hídricos. A FHE não informou se fará um novo leilão e destacou que vai aguardar o prazo de recurso. LEIA MAIS Como terreno do Exército virou disputa judicial em Valinhos O que causou a anulação? Vista aérea da Fazenda Remonta, em Valinhos (SP) Prefeitura de Valinhos A comissão responsável pelo leilão analisou a proposta da Alphaville e apontou itens que teriam sido descumpridos em relação ao edital: Quanto às exigências da proposta Não apresentou projeto de loteamento rural; Não apresentou proposta compatível com a exigida no edital, em desacordo com os subitens; Não apresentou o percentual estimado sobre o Valor Geral de Vendas (VGV) líquido do loteamento rural. Quanto à qualificação técnica da empresa Não comprovou capacidade técnico-operacional mediante apresentação de um ou mais atestados de capacidade técnica; Não apresentou as certidões negativas de falência e recuperação judicial, expedidas pelo distribuidor da sede da empresa. Quanto às questões econômicas-financeiras Não apresentou balanço patrimonial e demonstração de resultado de 2024 e 2025; Não comprovou Capital Circulante Líquido (CCL) superior a 16,66% do valor máximo da contratação nos dois últimos exercícios sociais; Não apresentou declaração exigida pelo edital, contendo relação de compromissos assumidos. Resultado A análise realizada pela Comissão de Contratação teve como resultado a desclassificação da proposta de preço apresentada e, portanto, a inabilitação da única participante, a Alphaville. O resultado do julgamento será submetido à homologação da FHE, o que ocorrerá após o decurso do prazo recursal previsto no edital. O que é esse terreno e por que é alvo de disputa judicial? Como terreno do Exército virou disputa judicial em Valinhos Criada pelo Exército em 1938 para a criação de cavalos, a fazenda passou a ser alvo de ações recentes de proteção municipal. O imóvel questão possui 1,62 milhão de m² e, desde 2023, passou a ter regras ambientais mais rígidas. Em 2026, a Prefeitura de Valinhos reconheceu a Gleba B como patrimônio ambiental e proibiu intervenções no local. A disputa foi parar na Justiça e envolve questões ambientais. A Associação Protetora da Diversidade das Espécies (Proesp), por exemplo, entrou com uma ação civil pública para tentar interromper o processo de venda. Segundo a Proesp, apoiada pelos conselhos de meio ambiente de Valinhos e Campinas, a área funciona como uma barreira natural para a água da chuva. O local também atua como um corredor ecológico entre a Estação Ecológica de Valinhos e a Floresta Estadual Serra d'Água, permitindo a circulação de animais como a onça-parda e o lobo-guará. Embora o leilão tenha ocorrido e a vencedora tinha sido declarada, a transferência da posse e da propriedade do terreno estava proibida. A restrição era fruto de duas decisões em caráter liminar, que ocorreram às vésperas do certame: uma da Justiça Federal e outra do TCU. *Estagiária sob supervisão VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas